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Tipo: A Fundação

Bolsa de Mulher (3/5/2010)
Fonte: Alessandra Cury Martins (Diretora de Marketing) e sua equipe - marketing@fsj.edu.br

Em homenagem a todas as mulheres, pelo Dia Internacional da Mulher.

Bolsa de Mulher

Abre o fecho com elegância, retira sutilmente o espelho cor-de-rosa. Com mãos macias, de pontas rosa-choque, puxa a necessaire, de onde retira o batom. E, com uma das mãos apenas, desenrosca o bastão, de onde salta uma ponta também rosa, a qual ela desliza, mansa e delicadamente sobre os lábios, que aperta suavemente para uniformizar bem. Na outra mão, o espelho se aproxima para conferir o efeito.

Cabeça erguida, equilibrando-se sobre alguns centímetros de salto, lá vai ela, num voejar divinamente feminino, a exibir e compartilhar suas glórias e conquistas. Ora menina, ora mulher, se rebola e se embola e se esgueira por entre as tramas da vida, que tece cada vez que se movimenta com o passo de dança no salão dos desafios.

Não precisa de modelos, não precisa de mestres, não precisa de heróis. A sua natureza criadora e criativa concedeu-lhe o dom de milagrar. As entranhas se lhe abrem generosas, ora para receber o néctar, ora para devolvê-lo em forma de vida, cujo alimento seu seio também abriga e reparte. Ela é assim, gosta de renascer e recriar e se folga de ser uma das partes e de ser muito o todo.

Sem medo da lida, às vezes se traveste de fera e se endurece para o encontro com o cotidiano duro, preconceituoso e separador. E acha que pode isso e aquilo.

Às vezes, contorcida de cólicas, coração aos pedaços (o grande amor se foi), o ventre doído (reflexos dos cuidados com a cria), a alma pesada (o enfrentamento da vida é cruel), ela sucumbe, sem, no entanto, perder a capacidade de sedução e envolvimento.

Reabre a bolsa, repete o ritual. Um olhar no espelho, um sorriso de vitória: reflexos da lucidez feminina. Dentro da bolsa, coloca todos os pedaços que não quer desperdiçar, com receio, talvez, de perder a Fênix que a habita.

Mais um retoque? Pode ser, mas não precisa mudar nada: você já é MULHER!

Abia Dias é professora de Língua Portuguesa, poeta, membro da Academia Itaperunense de Letras.  

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